Diário de Ourinhos

envie sua pautahoroscopo
Blogueiros

Rodrigo Satis

www.diariodeourinhos.com.br/rodrigosatis
por Rodrigo Satis
set   20144

A fatalidade norte do Sol

Postado em Artigos

De uns tempos pra c, sempre procurei viajar como um pintor paisagista e isso me leva, constantemente, a ver tudo com o corao de algum que se interessa por todas as nuances de cor, brilho e sombra que h no mundo humano. Fui dessa vez, quase que numa viagem onrica onde o sol no d trgua alguma e faz-nos, sem dvida, sentir e repensar nosso corpo nessa Terra inundada de calor. O que o povo chamava deus no existe aqui ou habita alguma caverna l pelos lados das chapadas do Jalapo com medo de serem derretidos: Aqui s o sol quem manda!

Ao norte como aqui, a angulao do sol tal sobre as cabeas dos seres humanos mortais que ele desce do cu como uma bigorna da ACME enchendo nossas tmporas de desespero, brilho gorduroso e cansao.

As peles dos homens crispam lentamente como se festejassem tanta energia recebida. Energia tal que sobrecarrega a mquina toda fazendo com que o corpo amolea: a maior expresso disso o sutaquin macio que escorre lento da boca de cada homem exasperado de quentura.

Tudo, numa relativa calma que causaria inveja aos biliosos e apressados dos grandes centros: aqui, o sol teve que expulsar os deuses para dar lugar aos homens inteiros, seres humanos comuns que amolecem suas tmporas de cacto.

Esses mesmos seres rodopiam ao redor do girassol gigante e ao redor das incontveis rotatrias de um planejamento carrstico mais novo que eu e com o qual se entretecem, com ou sem carteira de habilitao, de um excesso de sol: uma viagem cotidiana de sonho, sonambulismo e imaginao.

Andar a p aqui garimpar em deserto sem ouro, sem gua e sem trgua do sol. Homens de pele cor de mgno exibem loucamente sua tez no meio das rodovias e passarelas: Palmas para eles! No momento em que as cores se esgotam entra em cena uma monocromia tal que o sol nos exaspera em gradao de cinzas e miragem de negativo.

Resultado do sol causticante, como uma bigorna que cai sobre nossa cabea e, portanto, que nos acomete de surpresa, essa determinao do sol tamanha que o ser humano aqui parece o mais adaptado dos animais em seu sorriso: a terra toda dele o que o recebe em Palmas invisveis fogos do cu.

.

0comentriosclique e comente

Dirio de Ourinhos