Assine o Diário - 3324 4729
Não falemos dos Vampiros do cenário político, deixemos de lado para falar de um outro tipo de vampiro que invadiu a mídia. E com certeza aqui podemos dizer que nunca antes na história...
A Saga de Crepúsculo e Vampire Diaries são os mais comentados. Deparamos com seres híbridos com uma definição bem clara da personalidade dúbia: bem e mal.
A personalidade emprestada desde 1957 pelo maior e mais conhecido intérprete do Conde Drácula, Christopher Lee (estará em cartaz em 2010 no filme de Tim Burton, Alice no País das Maravilhas), não deixava rastros de humanidade, apenas o que conhecemos culturalmente como selvagem, animal, desprovido de humanidade ou bárbaro cujo único objetivo era sugar o sangue para própria sobrevivência pouco importando suas vítimas.
Em 1967, Roman Polanski dirigiu e atuou no filme comédia A Dança dos Vampiros (melhor que já assisti), uma obra prima de terror com pitadas de humor irônico que de certa forma, apesar de não haver rastros de humanidade nos vampiros do filme, alguns são engraçados pela caricatura que o diretor faz deles e é um dos últimos da atriz Sharon Tate (esposa de Polanski) que grávida de 08 meses foi assassinada por integrantes da “Família Manson” comandada pelo ‘psicopata’ Charles Manson.
Por que essa mania vampiresca pegou tanto? Por que agora existem vampiros ‘bonzinhos’? Da mesma forma que o Superman incorporou traços de maldade em sua personalidade em Smallville. O Clark adolescente, é revoltado, se envolve com ‘drogas’ (o anel), sai de casa deixando os pais aflitos, mas também tenta de toda forma não matar o ‘inimigo’. É claro que devemos guardar as particularidades tais como apesar de ser baseado na revista Superman: as quatro estações, Smallville, tem caminhado cada vez mais para uma independência criativa. E os vampiros também.
O que de tão original pegou aos adolescentes virando mania? Qual a idéia? Que são como nós, ‘humanos’? Cheios de defeitos e qualidades? Complicado é analisar uma sociedade híbrida (meio humano e meio bichão) se carregamos valores que nos diferem dos assim chamados animais, vampiros, demônios e tantos outros que são maus, porque é difícil aceitar a nossa própria dualidade e nossa maldade (se é que ela existe) não chega ser tão má quanto à dos outros. Os serial killers também não são como nós e também não são como os outros!
Uma outra coisa que ser vampiro (não drácula) proporciona: VIDA ETERNA. Não mais aquela vida zumbi que algumas eleitas pelo Conde tinham antes de finalmente sucumbirem à morte. Uma vida que permite socializar desde que obedecidos alguns limites. Os vampiros bonzinhos são digamos assim de maneira simplista, “vegetarianos”, eles não sugam sangue dos humanos, apenas àqueles que são maus fazem isso, aliás, trucidam.
Mas o importante é sempre lembrar que é ficção. Uma ficção romântica. E é a literatura que nos transporta para mundos mágicos.
Uma série de outras considerações que poderiam ser feitas em relação ao gênero literário, comportamento das personagens, sua evolução, transformação, porém, não é assunto para poucas palavras e ‘leigos’. É que a particularidade dessa ‘nova’ personalidade surgida na ficção pós-modernista permite que por meio dela consigamos superar todas as etapas da vida humana e alcançar apenas duas: o hedonismo e a vida eterna, superando as ficções que apontam o fim do mundo por conta de catástrofes (são muitas as que podem acontecer).
A ficção de Orwell na Revolução dos Bichos nem a Fazenda Modelo do Chico Buarque pode riscar, mas em compensação, 1984 que era ‘apenas’ um sistema de controle opressor sobre o homem, inspirada nos regimes totalitários das décadas de 30 e 40, e hoje está todos os dias no ar em vários canais de TV pagos e abertos: os BBB da vida, a banalização cultural. Bom, de certa forma e ironicamente, o crime de pensar no 1984, crimidéia, evoluiu de tal maneira que hoje nos BBB as pessoas simplesmente não pensam...
A ficção de Blade Runner, Batman, Metrópolis , Star Wars, Matrix e mais um monte de obras primas não nos dão a perspectiva de salvamento até porque a humanidade está extinta da forma em que conhecemos. Já na ficção atual vampiresca nada de tão ‘drástico’ acontece (se julgar que ser vampiro não seja drástico). O mundo não acabou, não morremos, somos sempre jovens de classe média/alta dos EUA, estudamos em bons colégios e acima de tudo, das futilidades ao que é importante: TUDO É ETERNO.