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Onde é o fundo do poço?

Palavras são com sementes. Em certos momentos parecem que foram apenas jogadas ao chão, mas em outros carregam a certeza de que um dia se transformarão e se tornarão árvores frondosas. Por isso escrevo. Já estou até filosofando!

Mas vamos ao que interessa...
Estou estarrecido com tanta falcatrua. E tenho certeza que não sou somente eu. Quando acreditamos que já chegamos ao fundo do poço, vem alguma notícia na mídia que nos mostra que o fundo é bem mais lá embaixo.

É má fé, corrupção, impunidade, protecionismo, legislação em causa própria, superfaturamento, desvio de verbas, arsenal de guerra, seqüestro, depredação de patrimônio público, morte, violência, acidentes, imprudência, desvio de verbas, precariedade na alimentação escolar, pais matando filhos, mães esquecendo dentro do carro como se fossem objetos descartáveis, drogas, carros-bomba e sabe-se lá o que há de vir daqui para frente.

O problema é que a sensação de impunidade tem feito com que as pessoas fiquem cada vez mais audaciosas, e também mais gananciosas. Suas malesas não têm mais limite. Não importa mais quem vai ser prejudicado.

O livro “1808”, de Laurentino Gomes (Editora Planeta do Brasil, 2007), que conta a história da chegada da corte portuguesa ao Brasil, no capítulo 15, conta como se instalou institucionalmente a corrupção em todas as esferas do país.

Mas sabe o que me preocupa de verdade? A próxima geração.

Como ensinar nossos filhos sobre honestidade, honra, dignidade, respeito, moral e ética se estes valores não tem mais nenhum significado entre nós?

Como fazer prevalecer limites, regras, se elas só valem para os mais fracos? Se a balança da justiça pende para um lado só?

Entre nós, talvez ninguém tenha expressado melhor a situação que vivemos hoje do que Rui Barbosa (Senado Federal, RJ. Obras Completas, Rui Barbosa. v. 41, t. 3, 1914, p. 86) nos inícios do século XX.

Em um momento de brilhantismo e de clarividência, Rui Barbosa, em 1914, expressou em palavras o sentimento de toda uma nação hoje. Ele disse:

“Sinto vergonha de mim,
Tenho vergonha de mim,
Pois faço parte de um povo que não reconheço
Enveredando por caminhos que não quero percorrer.
Ao lado da vergonha de mim,
Tenho pena de ti,
Povo deste mundo!
De tanto ver triunfar as nulidades,
De tanto ver prosperar a desonra,
De tanto ver crescer a injustiça,
De tanto ver agigantarem-se os poderes
Nas mãos dos maus,
O homem chega a desanimar da virtude,
A rir-se da honra,
A ter vergonha de ser honesto.
A que ponto chegamos!”

Os desonestos não sentem vergonha nenhuma; os honestos sentem, mas sentem vergonha de serem honestos!

Não se esqueça: o que plantamos hoje é o que colheremos no futuro. E é esse o mundo que você pretende deixar para seus filhos?

Comentários

nelson minucci junior 02/12/2009

Caro Alexandre Mariane, gostaria de receber o seu e-mail para lhe enviar fotos de como a suas empresas podem estar contribuindo para o desmatamento e ajudando no efeito estufa. Tenho certeza que você não sabe, e com certeza vai tomar providências, visto ser um comerciante sério e preocupado com o futuro de nossos filhos.


ALEXANDRE MARIANI

Administrador de empresas

alexandremariani@diariodeourinhos.com.br

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