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A utopia da sociedade matriarcal

Antes de qualquer coisa quero lembrar que o dia 08 de março de 1857 nos Estados Unidos foi um dia de atrocidade contra operárias tecelãs que entraram em greve por melhores condições de trabalho e que, em represália foram trancafiadas na fábrica que foi incendiada e aproximadamente 130 mulheres morreram. De lá para cá muitos avanços aconteceram, mas ainda falta muito para chegarmos a um patamar de igualdade.
Há algum tempo vários pensadores sugerem que um dia a sociedade deixará de ser patriarcal e será matriarcal, ou seja, a sociedade deixará de ser comandada por homens e as mulheres ocuparão espaços dominantes.
Estudos históricos na Península ibérica sugere que isso já aconteceu por lá, visto o sobrenome da mãe prevalecer ao do pai. Meu pai, por exemplo, carrega o sobrenome de minha avó espanhola por último, assim como minha irmã mais velha tem o da minha mãe. Mera tradição familiar, mas com origens na idade média quando os homens iam para guerras e muitas vezes não voltavam. Meu pai não foi exatamente para a guerra, mas minha mãe sim foi guerreira e criou quatro filhos sozinha.
Hoje em dia é muito comum vermos mulheres tendo a maior renda ou mesmo a única para manter financeiramente sua família o que é sem dúvida, uma mudança no perfil dos empregos bem como uma conquista dos movimentos de lutas emancipatórios como o da ativista Beth Friedman, que com discurso direto às donas de casa, comandou outras feministas na queima de sutiãs em passeio público na década de 60 e das idéias libertárias de Simone de Beauvoir, isso sem falar da radical Valerie Solanas que queria a aniquilação dos homens!
Abro um parêntese na Beth Friedman para lembrar da Banda Blitz que nos anos 80 fez sucesso com a música Betty Frígida e sua estranha estória com Roni Rústico; bem brincadeiras a parte, mas era mais ou menos isso que se falavam das feministas: que eram frígidas e masculinizadas. Em tempo, eu adorava as sátiras da Banda Blitz e não me incomodo com a brincadeira das Beths.
Como eu já escrevi recentemente conheço muitas mulheres coragem, então não serei repetitiva na discursividade de gênero.
Eu nem quero saber de papo sobre igualdade de sexos porque é biologicamente impossível, então, consertem o discurso. Quero saber de igualdade de direitos dos desiguais. Das mesmas oportunidades, da mesma possibilidade de ascensão nas carreiras e salários.
Mas sabe é difícil ser mulher moderna. Acordar cedo e dormir tarde, trabalhar, sustentar a casa, estudar, garantir o estudo dos filhos e ao mesmo tempo se ver rendida numa sociedade de consumo em que a aparência é tudo. Andamos tanto, lutamos tanto por nossos direitos que hoje estamos fadadas a ter várias jornadas e pouco tempo para os pequenos prazeres da vida. Tá bom, comprar sapatos e roupas é o máximo e principalmente não depender do marido para pagar a conta. Há quem questione. Outro dia recebi um e-mail do desabafo da mulher moderna que ao final da leitura também senti inveja das mulheres de antigamente, das burguesas, claro.
Porque para as mulheres desprovidas de renda, educação, saúde, emprego ou coisas do tipo, dificilmente qualquer luta emancipatória vai alcançá-las; a elas a única igualdade é o direito do voto que por sinal é obrigatório.
Não é questão de falta de Leis, que temos aos montes, e sim uma questão de Justiça.
Vamos endurecer meninas e não é só fazendo academia, mas o que não podemos é perder a ternura, jamais.

Comentários

Marcelo Cabeda 22/05/2009


seguimos combinando na questão CARÁTER. Tem que ter caráter. Preparar-se naquilo que se tem o, para prestar serviços que se apoiem habilidades.
Magnético


APARECIDA DE LOURDES SALINA

Historiadora

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