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Infinito ao meu redor

Assisti partes do evento Prêmio Multishow de Música Brasileira promovido pela Rede Globo. É raro eu assistir TV aberta, mas como gosto de música e entretenimento preciso estar atenta às várias vertentes do movimento por pura curiosidade ou por achar relevante, embora possa parecer reticente em alguns aspectos.

A Marisa Monte recebeu dois troféus – merecidos, diga-se de passagem - melhor cantora e melhor DVD “Infinito ao meu redor”. Foram inúmeros troféus; noite de homenagem a Rita Lee e Raul Seixas; nomes interessantes como Vanessa da Mata com a melhor música, “Amado”.

Volto na Marisa Monte porque é ela a inspiração do meu texto, não ela pessoa e sim o conjunto da obra. Eu acompanho sua carreira desde o sucesso Bem que se quis. Tenho alguns Cds e arquivos no computador. De Infinito Particular a Infinito ao meu redor é uma grande mudança semiológica e também meio jeito Arnaldo Antunes de ser, Sair Fora de Si. Quem sai fora de si olha o mundo ao redor de outra forma. Perdoa, releva, ajuda, conquista e acima de tudo, consegue enxergar onde estão os seus defeitos. Sair de si é se conhecer melhor. Não que ela tenha feito isso e superado seus outros trabalhos, nem de longe, ela é uma artista cheia de signos...entendê-los é a questão!

Agora, a música Amado da Vanessa da Mata é simplesmente linda, fazia tempo que eu não ouvia uma canção que me tocasse a alma. Acho que é por causa do meu estado de espírito que anda tão bem que deu até vontade de cantarolar baixinho: “Sinto absoluto o dom de existir, não há solidão, nem pena. Nessa doação, milagres do amor. Sinto uma extensão divina”.

Logo em seguida presto atenção numa notícia que já havia sido divulgada na internet sobre uma nova teoria sobre a causa da morte do Mozart: uma epidemia de estreptococos em Viena na época pode ter causado as complicações renais que levaram a morte o compositor. Isso só é possível pela nova vertente da História Cultural que se aproxima da História da Ciência. O compositor de mais de 600 obras pode ter morrido aos 35 anos como outras dezenas de pessoas no inverno de 1791 que tiveram uma infecção de garganta causada pela bactéria. Um simples antibiótico teria resolvido isso, mas ainda não existia, somente no século XX, Alexander Fleming descobriu a penicilina.

Mozart foi um menino prodígio começou a compor minuetos para cravos aos 05 anos de idade. Adulto, compôs sonatas, óperas, operetas, sinfonias, e suas duas últimas obras conhecidas são A Flauta Mágica e A Clemência de Tito. Logo em seguida recebeu a encomenda de um Réquiem, a inacabada K.626, o que alguns dizem que trabalhou para que fosse tocada em sua missa de 7º dia. Sentia a morte a espreita com a saúde cada vez mais debilitada.

Mozart foi um compositor genial, assim como outros de sua época. Hoje a música que compunha está na classificação de erudita. Assim como o jazz e o blues, deixou de ser popular e entrou no gosto depurado de algumas pessoas. Assim, como quem sabe um dia, ou até hoje, Marisa Monte e Vanessa da Mata possam ser consideradas artistas quase completas de classificação de clássica a erudita, mesmo cantando obras de outros artistas. A popularização dessa cultura é uma necessidade e um dever de cada um de nós que acredita que a arte é a expressão da alma e que nela há revelação de signos, o subjetivo, o racional, o inconsciente e o consciente, a essência inerente de todo ser humano.

APARECIDA DE LOURDES SALINA

Historiadora

luly-salina@uol.com.br

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