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Barbozinha, o primeiro Prefeito eleito após a Constituição de 1946

O gosto pelo passado, comprando-o às vezes com o presente, me faz lembrar do primeiro voto que dei a um Prefeito de Ourinhos. A primeira eleição após os interventores, ou seja, Prefeitos nomeados.

Cheguei a Ourinhos em 1947. Minha casa era uma escola política, nos legada por nosso pai Tertuliano Vieira da Silva. Foi Vereador, Presidente de Câmara e Prefeito Municipal de Santa Cruz do Rio Pardo. Sempre pertenceu ao Partido Democrata, que lutava contra a primazia do Partido Republicano (PRP), que manobrava a política de São Paulo.

Seus componentes passaram depois de 1932 para o Partido Constitucionalista (PC). Pena que perdi seu distintivo para a lapela, que todos usavam.

Em Ourinhos meu pai não participou da política, mas foi dos primeiros fundadores da Associação Comercial, tendo à frente Rodopiano Leonis, primeiro Presidente. A Associação desapareceu por alguns anos, foi reorganizada por grupo do qual meu pai fazia parte, e por muitos anos foi seu Presidente, a quem foi dado o título de Presidente Honorário, durante sua enfermidade. Foi num Dia das Mães, na sede em frente à Casa Alberto, no sobradinho de Paulo Pereira, onde usei da palavra em nome da família. Humberto Hage, então Gerente da Drogasil, membro da Diretoria da Associação Comercial é uma testemunha dessa homenagem. Gostaria de procurar para ver a Ata dessa reunião.

Mas voltemos à política após a saída de Getúlio Vargas, com novas eleições presidenciais. Com a Constituição de 1946 vieram as eleições de Governadores e depois dos Prefeitos Municipais a 15 de Novembro de 1947, e posse a 1º de Janeiro de 1948.

A U D N pregava a honestidade com o Patrimônio Público. Foi o partido do lema: O preço da Liberdade é a eterna vigilância, e seu candidato a Prefeito de Ourinhos foi Candido Barbosa Filho, mas conhecido como Barbozinha. Era a pessoa com o perfil do partido, o respeito com o patrimônio público.

Professor primário, Coletor Federal, foi conhecido por sua rigidez. Fundou o primeiro jornal A Cidade de Ourinhos, em 1926. Era o homem certo. Três fatos apenas, para que se possa ter idéia de quem foi o símbolo de um administrador público, que governou Ourinhos de 1º de Janeiro de 1948 a 1951. Pavimentou com paralelepípedo toda cidade de então, sem ajuda financeira do Estado ou da União, só com o erário municipal com participação dos munícipes.

Ganhou as eleições, pela UDN, que tinha em Ourinhos um Presidente exemplar para um Diretório Municipal, o único presidente que teve esse partido. Esse Presidente tinha por costume terminadas as eleições viajar para o devido descanso. Quando voltou teve uma surpresa em casa, não havia água. Foi averiguar na Prefeitura. Responderam, o Senhor Barboza mandou cortar a água das ligações em débito, e sua ligação tem um pequeno débito. Surpreso subiu ao Gabinete, e comunicou a surpresa ao Barbozinha. A resposta veio pronta: Não era esse Prefeito que vocês queriam? Salda o débito e mando ligar na hora. Ante a resposta, o presidente da UDN, meio sem jeito, pensou consigo: escolhemos mesmo o homem certo.

Uma Senhora muito bem trajada, veio até o gabinete e elogiou o Prefeito pelo aquário da Praça, e pediu 2 peixinhos para levar como lembrança. Barboza respondeu, não posso minha senhora, os peixinhos são da cidade e não meus. A senhora insistiu: eu sou esposa de um general. Barboza foi rápido, seu esposo general manda na caserna, na cidade mando eu como prefeito. Os peixes não são meus. Fato encerrado.

Havia na época aquelas maquininhas para calcular, com uma manivela, que fazia um barulho até simpático. Um funcionário estava manobrando por muito tempo, distraído, a tal maquininha, e não viu o novo Prefeito atrás, quando escutou sua voz. Moço, já brincou bastante com esse brinquedinho, comece a trabalhar um pouco.

Já imaginaram se todos os Prefeitos do País fossem outros tantos Barbozinhas no trato da coisa pública?

Podem dizer, os tempos são outros. A Democracia admite (sic) mentalidades diferentes na política e administração.

Comentários

Antonio Carlos Gregorio 03/07/2009

Boa lembrança do professor Norival falando do Prefeito Barbosinha e o seu respeito para com a coisa pública. Ouví histórias espetaculares a respeito daquele Prefeito contadas por funcionários antigos da PMO quando lá ingressei em 1966. Essa da máquina de calcular foi com o Oscar Malaquias que éra seu afilhado, tanto que quando os funcionários avistavam o Prefeito se anunciava, cuidado lá vem o padrinho do Oscar......


NORIVAL VIEIRA DA SILVA

Professor e Jornalista

norival@diariodeourinhos.com.br

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