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Se até algum tempo o vinil estava restrito ao universo dos sebos e da música eletrônica, agora sacode a poeira e dá a volta por cima. Desde 2007 venho observando o crescimento das vendas dos famosos elepês. No Brasil os números ainda são tímidos, mas nos Estados Unidos o crescimento é bastante considerável.
Artistas brasileiros como Ed Motta lançou seu CD para o mercado europeu em formato de “bolachão” e fez bastante sucesso. Já Lenine comercializou seus “bolachões” somente para a Rússia, atendendo a um pedido especial do país, nos demais mercados lançou CD e pen drive. Na esteira temos Skank, Marcelo D2 e vários nomes da música internacional, Bob Dylan, Nirvana, Green Day, The Beatles, uma infinidade.
Esta semana estive na Saraiva Mega Store e comparei os preços do CD e do vinil da Amy Winehouse e a diferença é grande, enquanto o CD custa R$27,90, o vinil custa R$74,90.
Uma coletânea com quatro LPs do Led Zeppelin custa quase R$400,00 e você encontra CDs do grupo por até menos de R$25,00.
Não é um retrocesso, caso alguém pense assim e sim, o mercado atendendo um nicho específico de pessoas que desejam ouvir aquele barulhinho da agulha deslizando pelo bolachão e enquanto ouvem a música ficam admirando a capa e as fotos. É claro que há um certo saudosismo nisso, mas é uma forma do mercado se reinventar e criar um produto altamente desejado para um público que pode pagar por ele.
Em relação aos CDs, os números também indicam uma queda no consumo na faixa de 40% por conta da pirataria e dos mp3.
Os entendidos em som afirmam que o áudio dos CDs é mais límpido e até metálico, ou “magro”; já com os vinis o áudio perde um pouco dos seus agudos, mas a variação vai de precisa a “cheia”. E essa “magreza” digital é o que nossos ouvidos parecem não gostar muito.
Numa época de falsos ídolos, volatilidade e de variedade sem qualidade, muitos ouvintes sentem falta de uma maior conexão com seus artistas preferidos e nisso o elepê ganha de longe porque os álbuns de vinil trazem encartes, fotos, ficha técnica detalhada, letras de fácil leitura - uma série de extras que melhora a curtição da obra.
Aqui em Ourinhos você encontra bastante opções de vinil usados no Sebo Literário, vale a pena dar uma olhada no acervo. Na net você encontra LPs novos na Saraiva e na Livraria Cultura e em outros sites também, mas essas duas têm um acervo disponível muito bom e diversificado.
Porém, o que mais me chamou atenção não foi diferença de preços e nem o aumento das vendas dos vinis e sim não encontrar nenhuma loja que venda uma “vitrola” nova ou mesmo agulhas para troca dos aparelhos de som que muita gente ainda tem em casa. Um pouco de pesquisa na internet me bastou para realmente ver que são pouquíssimas as opções. Achei um da “Sony com uma porta USB para converter seus velhos discos em MP3” (É assim mesmo que está escrito! O aparelho não é vendido para ser apenas um toca discos e sim para conversão...chorei). Achei mais alguns em sites que vendem equipamentos para DJs, mas assim, não acompanham caixas de som e os preços são bem salgados. Não é equipamento doméstico, portanto, mesmo com a volta do vinil não vai ser fácil ter um aparelho para tocá-lo a não ser que em sua casa ainda tenha um velho e bom 3 em 1. Bateu um arrependimento tremendo ter desfeito do meu...