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Incentivo ou protecionismo?

O Governo Federal tem tomado várias medidas para incentivar o consumo neste período difícil que passa a economia mundial. Primeiro zerou o IPI dos automóveis por três meses. Agora prorrogou este mesmo incentivo por mais três meses e estendeu o benefício para materiais de construção e motos.

Por último também reduziu o IPI de algumas linhas de eletrodomésticos.

Tudo isso é muito louvável e salutar para as empresas e para os consumidores que estão usufruindo destes benefícios, no entanto, os parâmetros utilizados são um processo de iniqüidade.

Tratamento diferente para cada setor econômico, e mais que isso, focado basicamente nas empresas de grande porte e nas multinacionais, como montadoras de automóveis, grandes redes de varejo, grandes construtoras.

E a pequena e micro empresa? E o varejo em geral? Eles também não precisam sobreviver. Não precisam manter seus empreendimentos funcionando, e mais que isso, dando lucro?
Infelizmente a regra do jogo não é igual para todos. Afinal, dar sustentação para viabilizar a manutenção de microempresas e empresas de pequeno porte não aparece na mídia, não repercute internacionalmente e não ajuda os poderosos proprietários das multinacionais e das grandes empresas nacionais.

Claro que estamos preocupados com o número alarmante de desempregos... claro que sabemos que tudo o que possa aumentar o volume de consumo vai ajudar indiretamente na manutenção da economia como um todo...

Ma será que nós, micro e pequenos empresários também não merecemos benefícios reais?

Veja os números do Sebrae referentes a micro empresas e às empresas de pequeno porte e perceba a importância delas para a economia do país:

- 4,5 milhões de estabelecimentos;
- 48% da produção nacional;
- 98,5% das empresas existentes no país;
- 95% das empresas do setor industrial;
- 99,1% das empresas do setor de comércio;
- 99% das empresas do setor de serviço;
- 60% da oferta de emprego;
- 42% do pessoal ocupado na indústria;
- 80,2% dos empregos no comércio;
- 63,5% da mão-de-obra do setor de serviços;
- 21% do Produto Interno Bruto (ou R$ 189 bilhões).

Não somos corruptos, não somos ladrões, não somos exploradores dos menos favorecidos. Somos pessoas que acreditam no que fazem, que geram emprego e renda, pagamos nossos impostos.

Somos pessoas que trabalham para vencer na vida e poder ter uma vida digna e confortável.

Como micro e pequenos empresários merecemos respeito e atenção, pois também estamos fazendo nossa parte na construção deste grande país.

Precisamos de impostos justos, de políticos dignos e honestos preocupados com seu povo, de leis trabalhistas menos paternalistas, Precisamos ser tratados com seriedade. Esse é o Brasil que nós sonhamos e queremos.

Comentários

Luly Salina 17/06/2009

Sabe Alexandre eu sou consciente em relação que o consumo é que alimenta a cadeia do capitalismo global. Quanto ao Brasil e as medidas governamentais que vc citou muitíssimo bem em seu texto, não consigo discernir entre protecionismo ou incentivo. Não protege a indústria nacional e também não a incentiva. Não salva empregos, tampouco. Bem como, em se tratando de multis, grande parte do lucro não fica aqui e não garante a sua permanência, porque num capitalismo líquido e fluido, as empresas vão para onde a mão-de-obra e os incentivos fiscais são mais atrativos, então tirar o 'time de campo', se quiserem, não é o nosso Governo que vai definir e sim a ordem mundial. Também sei que as micros e pequenas movimentam a economia interna. Porém, eu sempre me preocupo com as relações de consumo pela minha formação e continuo pesquisando e procurando um meio termo saudável para isso, pois hoje, pro capitalismo o que importa é sua capacidade de endividamento e não sua condição de saldar, seu lastro financeiro não é tão importante mais. Fico preocupada com tais incentivos, como redução do IPI dos automóveis, pq aumenta as vendas e em financiamentos, além de que quanto mais carros nas ruas, mais queima de combustíveis, mais poluição, mais aquecimento e o sufocante tráfego que nenhuma cidade planejou. É uma roda, um círculo vicioso que tá difícil de decifrar, nem os papas da economia conseguem um prognóstico de um futuro próximo. Há com certeza uma ruptura no atual capitalismo, nem Marx, nem Keynes poderiam acertar o caminho. O jeito é continuar em frente, como formiguinhas mesmo, construindo esses micros e pequenos negócios, carregando nos ombros pesos maiores que os incentivos ou protecionismos que possam o Governo dar. Eu sou da seguinte opinião, utópica infelizmente, tratamento igual aos desiguais, enfim...
Um grande abraço.


ALEXANDRE MARIANI

Administrador de empresas

alexandremariani@diariodeourinhos.com.br

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